A descoberta da radioatividade no início do século XX , despertou muito interesse e fez gerar muitas teorias absurdas sobre seu poder de curar doenças e como fonte de juventude eterna.
Vale ressaltar que nesta época não se conhecia os perigos e os efeitos nocivos causados pela radiação, tudo era magia, e a emissão de partículas alfa, beta e gama se mostrava como um caminho que podia levar até mesmo à cura de doenças como câncer ( hoje se sabe que radiação pode provocar câncer).
O grande interesse suscitado pela radioatividade levou ao aparecimento de “teorias” que visavam justificar a aplicação de terapias e a oferta dos mais diversos produtos com radioatividade adicionada, prometendo ao consumidor a satisfação de “haurir proveito da nova maravilha da ciência” (Hering, 1924). As aplicações se baseavam nos efeitos fisiológicos dos materiais radioativos ou se valiam dos efeitos terapêuticos (como no tratamento dos tumores). Talvez a maneira que mais simbolizou essa prática eram os anúncios entusiásticos sobre a eficácia terapêutica do rádio, qualificando-o como uma “solução mágica da medicina” (Chase, 1921) com inacreditáveis poderes curativos, capaz de “restaurar a saúde a milhares de pessoas” (Bardwell, 1926). Trata-se de um dos grandes fenômenos mercadológicos das três primeiras décadas do século XX na Europa e nos Estados Unidos (Frame e Kolb, 1989).
Águas radioativas
Em 1903, Joseph John Thompson (1856-1940) escreveu um artigo na revista Nature, relatando a presença de radioatividade em águas minerais medicinais (Frame, 1989). Essa radioatividade provinha do radônio, gerado pela decomposição do rádio presente nas rochas por onde a água passava: “O radônio estava para a água assim como o oxigênio para o ar” (Perrin, 1921). Spas e centros de tratamento foram construídos para atender especialmente a idosos e doentes.
Produtos de beleza
A beleza feminina foi um grande mercado para a radioatividade como exemplificado numa propaganda de um jornal de época, destinada às mulheres ávidas por beleza permanente. Em toda a linha de produtos – cremes, sabões, xampus, compressas, sais de banho... – garantia-se a presença de rádio autêntico e legítimo: “a maior ajuda da natureza para a beleza da mulher”. Esses produtos tinham a propriedade de “rejuvenescer e revitalizar a pele”. A propaganda do Radior garantia reembolso de US$ 5.000,00 para as consumidoras insatisfeitas com o produto (Bardwell, 1926). Havia tratamentos faciais para eliminação de rugas, acnes, cravos, branqueamento da pele... a preços normalmente elevados, o que restringia seu amplo uso pela população (Hering, 1924).
Produtos médico-farmacêuticos
Esses produtos refletem o desejo constante da humanidade em encontrar a cura ou a prevenção definitiva de inúmeras enfermidades. O conjunto desses produtos era conhecido como a “terapia suave do rádio”, pois não teria efeitos colaterais (Frame, 1989).
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Nos anos 1920, foram muito comuns propagandas de compressas e almofadas radioativas destinadas ao tratamento de artrite, neurite, asma, bronquite, insônia... Esses produtos ainda tinham a característica de permitir “que as propriedades curativas do rádio estejam ao alcance de todos” dado o baixo preço destes (Tilden 1926). Alguns fabricantes recomendavam que o produto fosse exposto ao sol por alguns minutos para “ativar suas propriedades terapêuticas” (Cramp, 1936).
Tônicos e revigorantes destinavam-se a manter ou recuperar os vigores físico, mental e sexual. Lançado em 1925 nos Estados Unidos, Radithor continha 2 mCu (74 kBq) dos isótopos 226Ra e 228Ra. Ele era prescrito contra nada menos do que 150 enfermidades endocrinológicas (Cramp, 1936). O slogan era “a cura para os mortos-vivos”. Calcula-se que cerca de 400.000 frascos foram vendidos entre 1925 e 1931 (Frame e Kolb, 1989). Nos final dos anos 1920, surgiu o Vita Radium, supositório destinado a combater a fraqueza de memória e a impotência sexual masculina8 (Figura 4). A duração do tratamento era de 15 dias. Na bula, afirmava-se que, em até três dias, o rádio seria eliminado do corpo. A propaganda veiculada desse produto realçava os efeitos sobre o desempenho geral do consumidor.
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